sábado, 31 de julho de 2010


- É preciso ser paciente - respondeu a raposa. -
Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva.
Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...


Conselhos do Pequeno Príncipe - In Facebook

quarta-feira, 28 de julho de 2010

2º Comunica MG - Desafios atuais da comunicação


Para galerinha que cursa Comunicação Social, como eu ou já se formou e atua na área, estão abertas inscrições para o 2º Comunica MG, congresso sobre os novos desafios da Comunicação no mundo. O evento acontecerá nos dias 10 a 13 de Agosto no espaço Minas Centro em Belo Horizonte e conta com a participação de especialistas e renomados comunicadores do cenário atual. Entre os temas discutidos estão o Cenário da Internet e consumo das Redes Sociais no Brasil por e Convergências entre Comunicação e Administração, entre outros. Vale à pena conferir!
Podemos também gerar um apelo às Escolas de Comunicação em BH ( e que minha coodernadora esteja lendo isso, rs), para aliviarem para os estudantes as taxas de inscrição, afinal precisamos participar, mas como todo mundo sabe: estudante é tudo duro mesmo.

Para acessar o site do 2º Comunica MG e fazer inscrições clique aqui

terça-feira, 20 de julho de 2010

A mídia é regulada pela sociedade ou ela é quem regula?

Texto produzido no dia 15/06, primeiro jogo do Brasil na copa de 2010.

Nessa tarde o povo brasileiro famoso por sua paixão pelo futebol lotou as ruas, as praças e os pontos de ônibus distribuídos pelos corredores principais de Belo Horizonte, sem falar dos bares e espaços que foram cuidadosamente reservados para que os cidadãos “brasileiros com muito orgulho, com muito amor” pudessem assistir á estréia da seleção brasileira de futebol, na copa da África. O trânsito estava um caos, o horário de rush foi adiantado para 14:00 hs de uma terça-feira de trabalho, quero dizer, eu tentava trabalhar, mas as pessoas pareciam sofrer de uma amnésia situacional, e ninguém prestava muita atenção no que eu tinha a dizer os ônibus lotados não paravam nos pontos para levar os trabalhadores (que nesse momento eram fanáticos trabalhadores) para suas casas ou para onde quer que fossem assistir o jogo e os carros acelerados batiam nos ônibus obrigando os passageiros a descerem da condução que com tanta dificuldade tinham conseguido embarcar. Fiquei uma hora e meia dentro do ônibus, no trânsito retido. Momento esse que pude apreciar as mais diversas personalidades torcedoras e as mais criativas ornamentações especialmente produzidas para transferir a energia positiva para a seleção que entraria em campo, lá no outro continente. Eram camisas, bonés, lenços, sapatos, óculos, buzinas, assovios, vuvuzelas... Imaginei quanta bagunça estaria acontecendo em São Paulo, visto que nossa metrópole perto daquela em (questões físicas, geográficas) é um grão de cidade.

O fato é que a partir de tanta mobilização, pude pensar o quanto não somos assim em sociedade, o quanto não nos mobilizamos por política ou saúde pública, por exemplo. Gostaria que as pessoas amassem e se mobilizassem tanto pelas questões políticas do nosso país como pelo futebol.

Você pode me perguntar agora: mas o que a mídia tem a ver com tudo isso? Respondo: desde último dia 11 de Junho não tenho acesso (isso é na “grande TV aberta”) [1] a outras programações que não sejam jogos de futebol, entrevistas com especialistas em futebol, ex-jogadores de futebol, até a previsão do tempo agora que importa é a da África.

Seria muita pretensão dizer que preferia assistir um bom filme, seria pedir muito poder ter opção?

A mídia brasileira é considerada por muitos especialistas como poderoso canal da massa (televisão, por exemplo) e regulador de vida social. Efetivamente percebe-se que existe grande contribuição por parte dela para essa regulação. O fato que seria interessante pensar é até que ponto o comportamento social do cidadão brasileiro faz parte de sua cultura ou é incentivado e incitado (em parte considerável) pelas grandes mídias televisivas, que possuem influencia para tal.

Em época de copa na TV só se fala de copa porque é isso que o brasileiro quer assistir ou é interesse de alguém que tem poder por trás das mídias de desviar a atenção dos assuntos mais importantes? Enquanto se instala o oba-oba, perdemos o foco do evento muito mais importante que acontecerá esse ano e que sem dúvidas tem muito mais chances de interferir em nossas vidas do que a copa do mundo, alguém ai está lembrando que só escolhemos nossos presidentes uma vez a cada quatro anos? Essa não é a retórica dos mais fanáticos pela copa? Pois temos os mesmos argumentos, com a diferença de que para esse fato, os holofotes não ficam constantemente ligados.

È necessário que se desenvolva nesse país uma consciência crítica dos indivíduos sobre a sociedade, a forma de vida, as formas de governo. Precisa-se desenvolver um gosto por tratar dos assuntos políticos, quero dizer, primeiro que se desenvolva um respeito por política.

Em que as mídias efetivamente estão contribuindo? Afinal no decreto de suas concessões não existe um artigo que reza sobre a utilidade social delas? Será que é de interesse dos grandes proprietários dessas empresas midiáticas que essas faculdades mentais se desenvolvam no povo brasileiro? A mídia está contribuindo para o desenvolvimento social realmente, está regulando nosso comportamento ou mantendo nosso infeliz status quo?[2]

Qual será o canal que transmitirá a necessidade de mudar? Qual deles terá disposição para insistir na idéia de que precisamos discutir nossos problemas?

Só sei que o jogo trouxe-me uma gama de perguntas não respondidas, a campanha da seleção nem foi tão boa assim e minha televisão só anunciava a “extraordinária vitória de 2X1 do Brasil sobre a Coréia, como não concordava com o adjetivo: desliguei a TV.




[1] Cito “grande TV aberta” para me referir às emissoras privadas de canal aberto que detém maior audiência, que são tidas como referência pelo telespectador brasileiro.

[2] Status quo é uma redução da expressão latina in statu quo ante, que significa, literalmente, “no mesmo estado em que se encontrava antes” (http://wp.clicrbs.com.br/sualingua/2009/05/05/statu-quo/)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Luciana no país das maravilhas

A personagem Luciana, interpretada pela atriz Alinne Moraes em “Viver a vida”, é uma jovem rica e que, devido a um acidente, está, hoje, em uma cadeira de rodas. Na novela, Luciana é tratada, em hospitais particulares, pelos melhores profissionais do Rio de Janeiro e do exterior. Em casa, a personagem dispõe de um quarto adaptado para sua situação de cadeirante, um carro também adaptado com motorista, uma sala de fisioterapia, além de receber a assistência de enfermeiras e fisioterapeutas particulares.
Os recursos que garantem a comunidade de Luciana são provenientes de sua situação econômica privilegiada, na ficção, mas isso está longe de ser uma realidade em nosso país. Se analisarmos, apenas, o aspecto financeiro, a personagem parece viver no “Brasil das maravilhas”. O “Brasil da vida real” tem, aproximadamente, um milhão de cadeirantes e quase nenhuma estrutura para acolhê-los, garantir a sua cidadania e torná-los independentes.
No “País das maravilhas”, Luciana vive bem, apesar dos problemas de mobilidade reduzida e, partindo para uma análise pessoal (considerando que a vejo pelos meus olhos de pessoa dita “normal”, que anda sobre duas pernas), imagino que ela seja um símbolo de conquista (mesmo que no terreno fictício) e porta-voz das pessoas com problemas semelhantes aos dela, espalhadas por todo o “Brasil da vida real”.
Os diálogos travados com especialistas e outros deficientes, neste núcleo da novela, confirmam a capacidade de um cadeirante ter vida sentimental e sexual ativa (um tabu), além de incentivar essas pessoas a se tornarem cidadãos defensores de seus direitos. Os depoimentos que encerram o capítulo do dia são exemplos reais de superações.
No entanto, a simpatia que o público sente por Luciana, comove menos se nos dispusermos a enxergá-la pela perspectiva de uma pessoa cadeirante. Por exemplo: Como as pessoas que se deslocam vários quilômetros para fazer fisioterapia dependendo do transporte coletivo e esperam horas na fila de uma clínica do Sistema Único de Saúde (SUS) enxergam Luciana? Será que um pai ou mãe de família que foi aposentado por invalidez e ganha um salário mínimo, se identifica com ela? O que sentem os cadeirantes que saíram pelas ruas de Brasília entregando notificações aos estabelecimentos que não se preocupam em garantir o acesso de cadeirantes e demais portadores de comprometimento físico quando vêem a Luciana? O que diriam Mariana e Willian, alunos que processaram as sua escolas para conseguir ter acesso à educação? Como será que o cadeirante que processou o condomínio onde morava por proibi-lo de permanecer no hall do prédio, pois “dificultava” o acesso das outras pessoas, interpreta a Luciana?
Não posso responder essas perguntas. Entendo que os desafios são infindáveis para essas pessoas que precisam lutar para superá-los. Todas as suas conquistas, extensivas ao grupo ou mesmo individuais são marcadas do esforço para “viver a vida” neste nosso “democrático” país.
É fato que a existência da Luciana, na novela, promove uma discussão na sociedade em torno do assunto. Mas não se pode enxergar na mídia televisiva apenas aquilo que nossos olhos querem ver. É necessário um esforço para que deixarmos o “Brasil das maravilhas” ao término de cada capítulo da novela e encararmos um país cheio de pessoas reais, com problemas reais. Pessoas que precisam de uma colaboração efetiva ou apenas de uma palavra de apoio e incentivo. Que tal fazer uma visita àquela senhora cadeirante que mora ao final da rua?


Crítica - Trabalho acadêmico do 3º período, escolhido para ser publicado no Jornal contramão 11ª edição, pg 02.
Acesse a edição on-line no link: Jornal Contramão

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Big brother em noite de paredão

Sutil, mas incisiva: é assim que podemos classificar a estratégia de influência utilizada pelo polêmico programa Big Brother Brasil, o BBB, da Rede Globo.

Pode-se perceber melhor nas noites de eliminação no famoso “paredão”, que vai ao ar às terças-feiras, as tentativas de interferir na opinião do público, que tende a responder à “dança” como o programa “toca a música”. A intenção do programa, ou de seus produtores, é manter no ar pessoas que garantam audiência, com grupos próprios de seguidores e adoradores, que geram polêmica e discussão, em suma, os que farão com que as pessoas liguem seus aparelhos televisores para acompanhá-las - portanto, não acompanhar exatamente o programa, mas participantes determinados. Podem ser descartados então os que desagradam o público, que tem atitudes inadequadas com os outros participantes (ou não: tudo depende do contexto), os “bobões” que não se revelam, permanecendo imóveis e passivos diante do jogo, ou rodando feito peões conforme “sopra o vento do BBB”.

Nesse ano de 2010, os participantes de personalidade “forte” têm roubado a cena e diferente das novelas (nas quais o publico tem afinidade pelos mocinhos), no Big brother (que é um jogo que simula a vida real) atual, o povo tem apresentado preferência pelos “não tão bonzinhos assim”. Talvez pela própria identificação do publico com as pessoas confinadas, afinal todos somos imperfeitos, feitos obras inacabadas, a diferença é que na televisão os defeitos ficam latentes, dividindo as opiniões publicas, sobre quais são aceitáveis ou não.

Na noite de eliminação, o programa exibe cenas de momentos anteriores de acordo com a preferência (da produção ou do clamor da massa: depende da ocasião) pelo participante. As cenas podem reforçar determinados comportamentos de um participante emparedado que esteja desagradando o povo, ou transmitir as supostas “qualidades” daqueles que caíram nas graças do público. Os comentários do apresentador, detalhadamente estruturados, trabalham na construção da imagem do favorito com palavras que invocam sentimento de garra, força de vontade e inteligência. No caso dos que preferencialmente devem ser eliminados, os discursos têm um tom de “valeu, mas agora acabou pra você”. O apresentador chega a explicitar a estratégia do programa através de frases como: “Dicésar, nesse paredão você foi mero coadjuvante...” ocasião em que Angélica, Dourado e Dicésar se enfrentavam no paredão no BBB 2010.

Tomando por base esses pormenores sutis que, no final, somam grande vantagem para os idealizadores do programa, manterem dentro do “jogo” os participantes que geram maior audiência para emissora, pode-se dizer que (embora a votação não seja manipulada tecnicamente), esse “ritual” da construção/desconstrução de imagem, apresentado para ao grande publico na noite de eliminação, é capaz de influenciar na decisão final daquele que vota e “escolhe” quem deve sair. Sabe a maior ironia disso tudo? O Brasil escolheu e o vencedor do BBB 10 é...



Crítica - Trabalho acadêmico no 3º período

“Cumplicidade- 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos – Olhares para o Brasil e Brasileiros”


Um projeto nada convencional tem conquistado espaço na internet e sendo amplamente divulgado nas escolas públicas nacionais. E que o jornalista Belo-horizontino Bernardino Furtado lançou um projeto de memórias profissionais: Cumplicidade - 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos – olhares para o Brasil e Brasileiros, nada de surpreendente não fosse o objeto principal desse projeto: as fotos feitas pelos companheiros de trabalho do Bernardino, os fotojornalistas. Com vasta experiência de trabalho e muitas historias para contar, o Jornalista sem dúvidas teria muito material para publicar sobre suas matérias, suas andanças, formas de apreensão e experiências profissionais, mas via de regra, não foi o que ele fez. Lançou um livro com as fotos tiradas pelos fotógrafos que o acompanharam nessa longa jornada de trabalho. Para cada matéria de merecido destaque, um fotojornalista foi associado, aquele que a registrou através de suas lentes. Juntamente com as fotos ele divulga um pouco da historia do fotógrafo e seus trabalhos.

Seu projeto é surpreendentemente inovador, visto que normalmente os fotógrafos são pouco valorizados no Brasil, mesmo os melhores profissionais que cursam as mesmas escolas que os repórteres, têm dificuldades para serem reconhecidos pelos seus belos trabalhos, o mérito da matéria raramente é compartilhado entre ambos pelo público.Bernardino fala de sua relação com os companheiros e amigos da jornada, que muitas vezes são mais íntimos que irmãos e estão todo o tempo lado a lado. Escreve da intenção de lançar luz sobre o anônimo, focar os flashes no que normalmente não tem lá tanta divulgação.

“Carinhosamente chamados de cúmplices”, os fotógrafos que acompanharam Bernardino pelos seus comemorados 20 anos de trabalho em varias regiões do Brasil, viram seus trabalhos expostos no livro lançado por ele este ano e em exposições realizadas em teatros municipais. O jornalista também faz a divulgação dos trabalhos em suas visitas á escolas públicas de cidades interioranas Brasileiras e na grande BH, levando o conhecimento por meio da doação de 500 exemplares da obra, e abrindo espaço para as artes fotográficas na vida dos alunos. Os exemplares também foram doados á bibliotecas.

Entre os trabalhos de destaque no blog de Bernardino também estão fotos da matéria que realizou em cidades do interior, “infiltrando-se” em uma cooperativa de colhedores de cana e registrando o dia a dia de um trabalhador de canavial. Desta vez, porém, as imagens foram registradas por ele próprio, embora não se considere um bom fotógrafo, mas devido às condições do trabalho ousou experimentar o outro lado da rotina jornalística, sentindo com é estar do outro lado da lente.