quarta-feira, 7 de julho de 2010

Big brother em noite de paredão

Sutil, mas incisiva: é assim que podemos classificar a estratégia de influência utilizada pelo polêmico programa Big Brother Brasil, o BBB, da Rede Globo.

Pode-se perceber melhor nas noites de eliminação no famoso “paredão”, que vai ao ar às terças-feiras, as tentativas de interferir na opinião do público, que tende a responder à “dança” como o programa “toca a música”. A intenção do programa, ou de seus produtores, é manter no ar pessoas que garantam audiência, com grupos próprios de seguidores e adoradores, que geram polêmica e discussão, em suma, os que farão com que as pessoas liguem seus aparelhos televisores para acompanhá-las - portanto, não acompanhar exatamente o programa, mas participantes determinados. Podem ser descartados então os que desagradam o público, que tem atitudes inadequadas com os outros participantes (ou não: tudo depende do contexto), os “bobões” que não se revelam, permanecendo imóveis e passivos diante do jogo, ou rodando feito peões conforme “sopra o vento do BBB”.

Nesse ano de 2010, os participantes de personalidade “forte” têm roubado a cena e diferente das novelas (nas quais o publico tem afinidade pelos mocinhos), no Big brother (que é um jogo que simula a vida real) atual, o povo tem apresentado preferência pelos “não tão bonzinhos assim”. Talvez pela própria identificação do publico com as pessoas confinadas, afinal todos somos imperfeitos, feitos obras inacabadas, a diferença é que na televisão os defeitos ficam latentes, dividindo as opiniões publicas, sobre quais são aceitáveis ou não.

Na noite de eliminação, o programa exibe cenas de momentos anteriores de acordo com a preferência (da produção ou do clamor da massa: depende da ocasião) pelo participante. As cenas podem reforçar determinados comportamentos de um participante emparedado que esteja desagradando o povo, ou transmitir as supostas “qualidades” daqueles que caíram nas graças do público. Os comentários do apresentador, detalhadamente estruturados, trabalham na construção da imagem do favorito com palavras que invocam sentimento de garra, força de vontade e inteligência. No caso dos que preferencialmente devem ser eliminados, os discursos têm um tom de “valeu, mas agora acabou pra você”. O apresentador chega a explicitar a estratégia do programa através de frases como: “Dicésar, nesse paredão você foi mero coadjuvante...” ocasião em que Angélica, Dourado e Dicésar se enfrentavam no paredão no BBB 2010.

Tomando por base esses pormenores sutis que, no final, somam grande vantagem para os idealizadores do programa, manterem dentro do “jogo” os participantes que geram maior audiência para emissora, pode-se dizer que (embora a votação não seja manipulada tecnicamente), esse “ritual” da construção/desconstrução de imagem, apresentado para ao grande publico na noite de eliminação, é capaz de influenciar na decisão final daquele que vota e “escolhe” quem deve sair. Sabe a maior ironia disso tudo? O Brasil escolheu e o vencedor do BBB 10 é...



Crítica - Trabalho acadêmico no 3º período

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