sexta-feira, 28 de maio de 2010

“A invenção do crime”

“Para ele, a imagem era de uma pessoa diferente. Alguém que sabia por que estava ali, ainda que não houvesse sentido prático. Olhava para o mar como se lá houvesse deixado todo seu patrimônio, suas razões de viver, seus amores. Mas sem culpas ou remorsos. Era suave e determinada ao mesmo tempo, no olhar. No tatear as cordas do navio que estava ancorado, era ousada. No ouvir o barulho surdo das ondas, um tanto romântica. Só do respirar aquelas vidas por perto, entre pescadores, turistas, guias turísticos, observadores como ele, é que não sabia o que interpretar. O que aquele nariz altivo captava do mundo não tinha como saber...”

Trecho do livro “A invenção do crime” de Leida Reis que alias, recomendo.