terça-feira, 1 de junho de 2010

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." Antoine de Saint-Exupéry


Não me lembro agora (ou não quero me lembrar) quem disse que me tornaria responsável pelo que cativasse. Ao bem da verdade não queria me sentir responsável por nada além do meu mau humor – nesse momento.
Porque caminhamos sempre em busca de uma vida mais agradável e leve de ser vivida e, no entanto, sentimos cada vez mais o fardo pesar? Quisera eu ter a força de uma simples formiga, e conseguir suportar várias vezes meu próprio peso e o das conseqüências de minhas decisões. Querer nesse momento não faz diferença, já que minha opinião é tão importante na conjuntura completa desse mundo quanto a formiga que está lá fora no quintal e que mesmo com sua extraordinária capacidade, não passa de uma formiga.
O que dizer quando o mesmo discurso já foi dito várias vezes e sua releitura causa náuseas de tão repetitiva? E o que fazer se a responsabilidade virou um lodo, uma lama que insiste em grudar nas mãos todas as vezes que ela é estendida?
O que diria Saint-Exupéry se soubesse que ando me esquivando da responsabilidade que ele me impôs? Talvez me chamasse de covarde, ou quem sabe tentasse me compreender observando o contexto da situação, não sei, mas gostaria de poder conversar com ele agora, gostaria de ouvir suas teorias à respeito e tentar entender sua visão de amor... Cativar em sua linguagem seria se fazer amada ou prender algo ou alguém em cativo? No primeiro caso, se fazer amada é a naturalidade de qualquer mulher sã, no segundo creio, torna-se mais preso aquele que se tornou responsável do que o que foi “cativado”.