quarta-feira, 25 de agosto de 2010

PEGOU SUPER MAL

Ontem ao folhear um jornal que rotineiramente recebo pelas manhãs tive uma baita surpresa. Li uma matéria que nem muito destaque tinha, publicada no caderno de política, ocupando a parte inferior da página. A meu ver deveria ter saído na primeira página, carregando letras garrafais em tons de vermelho, para denunciar a alerta.


Lendo-a tive a impressão de que timidamente dizia de uma questão muito mais abrangente do que a levantada, mas não era (intencionalmente) aprofundada, para evitar discuti-las.


A matéria dizia que um dos candidatos à Governador de Minas Gerais, havia solicitado a retirada de um pedido de prisão (feito pelos advogados do PT) de um blogueiro que publicou uma foto dele junto ao ex-presidente da República Fernando Collor de Melo (Ahn?).

O blogueiro, de acordo com o jornal, seria presidente do PSDB jovem de Belo Horizonte – motivo pelo qual se achou justificável a ação do PT. O candidato (suposta vítima) então, em seu intenso momento de candura, censurou a ação dos advogados e pediu para que fosse retirado o pedido de prisão dizendo julgar a “medida excessiva”.


Longe de mim discutir sobre quem está certo na situação, visto que os dois estão envolvidos em processos políticos. Quero levantar aqui a questão de se pedir um mandato de prisão para uma pessoa por causa de uma foto publicada na internet. Em ano eleitoral pode-se sair por ai pedindo a prisão das pessoas por motivos tão banais?


Os presídios e cadeias brasileiras não estão cheios o suficiente, abrigando os prisioneiros feito bichos amontoados por causa da superlotação? E porque não recorrer às medidas administrativas, como pagamento de multas ou processo por danos morais e pedidos indenização (como está na moda)? Ou em último caso - que para mim já parece extremo – exigir na justiça a retirada da foto do canal ou intervenção no site?


Afinal, estamos em estado de sítio ou em ano eleitoral? Os oponentes serão julgados em cortes marciais?


Em qual momento deixamos de viver no Brasil, esse país democrático que orgulhosamente insistimos em pregar pelo mundo afora, carregando a liberdade como se fosse um estandarte cravado em nossos peitos originalmente brasileiros?


Não bastasse a lei que proíbe sátiras e peças humorísticas sobre candidatos ao governo, nos 50 dias anteriores às eleições, agora descobrimos que em época de eleição torna-se relativo também sua liberdade de expressão (sua liberdade fica relacionada a quem você envolve em suas criações, sejam jornalísticas ou humorísticas), já que a de imprensa não existe em épocas como essa. É preciso estar atento à bestialidade e animosidade que vivemos em épocas que antecedem as eleições (uns querendo engolir e derrubar os outros) e até que ponto somos passivos com isso tudo!!!


Você pode até me dizer que competição faz parte dos processos da vida e é uma coisa normal, mas nesse caso é bom ficar com os olhos abertos, pois se trata da vida política do país, a competição nesse caso faz vítimas que normalmente são o elo mais fraco da corrente.


A competição política consegue burlar as leis de uma nação, em favor de quem? Da população que não é!


E é melhor (para o bem do “cidadão”) que fuja do olho do furação, ou melhor, da TPM eleitoral.


Fica caladinho... fica, fica caladinho!!