sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dia de cão

Esse é você, pensando em alguns daqueles problemas que ninguém pode ajudar a resolver...

  

Ou não!
Quem sabe pode aproveitar o mau tempo para deixar a chuva lavar, a lama da alma...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

pão-doce-de-açúcar

Ele trouxe pão-doce-de-açúcar, me recordo como se fosse hoje como estavam macios!  Eu então peguei o meu, passei margarina e corri para o quintal, para “esquentar sol”, como vovó até hoje diz. 

Na casa vizinha à minha, no canto direito, moravam quatro mocinhas pouca coisa mais velhas que eu e infelizmente a condição de vida das mocinhas impediam que elas tivessem um pãozinho sequer para comer de manhã: o pai era doente, acamado e a mãe trabalhava o dia todo para tentar alimentar as garotas, que ficavam o dia inteiro olhando para o horizonte, à espera de qualquer coisa que hes pudesse satisfazer as necessidades.

Lembro de ter visto em um morro, de um bairro vizinho, vários objetos brancos esparramados. Após tentar de todas as formas desvendar o que poderiam ser aqueles objetos e não me contentando com minha simplória dedução resolvi perguntar para uma delas:

Tianinha? Você sabe o que é aquilo lá em cima? Aquilo branco lá no morro?

Ela respondeu rapidamente que sabia!!! Fiquei tão feliz, satisfaria minha curiosidade, alguém me contaria o que era aquilo e a mim caberia o título de menina-sabe-tudo. 

Ela me contaria o que era com uma condição: que eu desse um pão para ela. Ah! Tudo bem, porque não? Peguei aquele mesmo que estava em minhas mãos e nem havia mordido e entreguei para ela.

Me conta Tianinha! O que é aquilo branco lá em cima? Ela responderia se eu trouxesse mais um pãozinho para a Bia, a irmã dela...
Eu trouxe afinal que mal havia? Era só um pão!

Agora me conta Tianinha! O que é? Novamente ela impôs a condição e dessa vez eu deveria trazer um pãozinho para a outra irmã (não me recordo do nome dessa)...

Eu trouxe e nesse momento meu coração já não agüentava mais e quase explodia de ansiedade! Ti aninha agora me fala! O que é aquilo lá em cima, branco, em cima do morro?

-É papel higiênico.

Ela se virou então, voltou para dentro do barraco e recostou-se na janela, precisava esperar sua mãe. Cada uma das meninas que estavam na roda, e agora alimentadas, se dissiparam.

Eu continuei ainda por alguns momentos ali parada, olhando para o morro com coberto pela camada branca que escondia a terra do morro, e que agora eu sabia era papel higiênico.

Não pelos pães, afinal vovô era padeiro e sempre trazia para casa muitos pães. Nunca me importaria em compartilhar com elas...
O que mais me intrigou naquele momento, e disso eu me lembro muito bem, foi o fato de ter pensado antecipadamente na mesma hipótese que Tianinha propôs, mas não ter conseguido acreditar em mim mesma.
Precisava que alguém, outra pessoa me dissesse algo que eu já sabia para poder acreditar?
Porque não acreditamos em nós?


(Ao voltar para casa, depois de encarar um dia tão ardiloso como há muito tempo não enfrentava, lembrei-me dessa história. É daquele tipo de infância, que a gente nem sabe bem porque lembrou, ou por qual propósito ou ligação a mente exausta resolveu fazer-lhe reviver tantos fatos ora cômicos, trágicos ou desconexos...)


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Que não seja apenas Real, mas verdadeiro



Em nenhum dos noticiários que li e ouvi hoje, deixou-se de tratar da euforia que ronda os últimos preparativos para o casamento do Príncipe William com a então famosa Kate Middleton, que por sorte ou por azar não sei, deixa de ser plebeia amanhã.

As fotos estampam todas as publicações nacionais ou internacionais, acompanhadas de informações sobre a cerimônia, os detalhes da festa e dos convidados, artistas, políticos e líderes mundiais importantíssimos.

Cheguei a ouvir no rádio que na Bahia vai haver festa de casamento para o casal – e detalhe, sem o casal, que começa já na madrugada de hoje e entra pela entra sexta-feira afora. Ouvi que a famosa cerveja também foi barrada na festa, por ser pouco nobre para o evento e vi uma matéria, em um portal nacional que divulgava um protocolo de forma de apresentação para a família real, explicando com detalhes como se vestir para a ocasião, como cumprimentar a rainha ou comer à mesa dos nobres, pensei: É bem interessante, mas quem foi convidado para a cerimônia provavelmente não precisará ler essa matéria para saber essas informações, portanto, para mim, ela é desnecessária apenas.

Entre as curiosas tentativas da imprensa em divulgar uma informação inédita para os reles mortais sobre o Casamento Real, vi uma nota que dizia “Kate não deve prometer obediência a William”, completando que a noiva prometerá “amar, confortar, honrar e proteger o futuro marido”, o que ao meu ver, ser for cumprido já estará de bom tamanho.

E o quero dizer com essa ladainha que provavelmente você também já está vendo ou ouvindo? É dizer que nossa cultura humana tem mesmo tendência de valorizar o espetáculo, o glamoroso, o grandioso, sem ao menos se preocupar em pensar sobre o fato puro, o verdadeiro, nesse caso que o único e Real motivo para que dois jovens tão bonitos se casem: eles querem dividir os próximos anos de suas vidas um com o outro e desejam com todas as forças serem felizes!

Quem se importa com o que Kate jurará a William desde que ela o ame e o respeite? Alguém hoje em dia tem se importado com juramentos, isto é, comparecer na frente das pessoas e jurar é fácil, mas o que percebemos atualmente é que as pessoas não se envergonham mais em descumprir com suas palavras. A princesa Diana também jurou amor e fidelidade ao príncipe Charles e sabemos que nos últimos anos em que estiveram juntos já não se davam muito bem e o casamentos já era servia apenas para manter o figurino.

Penso então para que vale tanto conservadorismo e protocolos, cerimônias e notoriedade? Se o mais importante e o que realmente deveria ser pesado é o investimento que as duas pessoas que se casam fazem em suas vidas? Não sei.

Aproveitando a deixa cito aqui uma jovem que conheci há poucos dias e que não é Kate Middleton, mas é uma verdadeira noiva Real. Ela também se casará nos próximos dias e está exalando felicidade. Os olhos de Déborah brilham quando ela comenta sobre o casamento e dá para ver na sua face como ela quer que tudo dê certo, não só com a cerimônia, mas com a vida.

Só me resta parabenizar tanto Kate como Déborah e torcer para esses casais cumpram mais do jurarem, amem o quanto prometeram amar e sejam humildes para reconhecer o quanto terão de lutar se quiserem levar seus casamentos além das vistas e da tão badalada cerimônia!


terça-feira, 26 de abril de 2011

CHIQUE SEMPRE

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma  pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.


Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.
Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

Chique mesmo é parar na faixa e dar passagem ao pedestre e evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.
Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É  "desligar o radar" quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!


Mas  para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de  se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia.


Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.

Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz.


Por Glória Kalil