domingo, 29 de julho de 2012

Será mesmo?


É isso. Talvez seja melhor aceitar que a resposta não vem. Ou que a resposta na verdade nem existe. É difícil estar encarcerado, olhando para todos os lados, na esperança de perceber o que ainda pode ser, mas não há nem lá e nem em lugar algum. Aceite esse fato. 

Todas as minhas amigas já disseram que quando é assim, o melhor a fazer é tentar respirar, porque aí o cérebro oxigena e a gente pode tentar inventar uma saída melhor. Mesmo que não seja definitiva, ou  àquela pela qual se mereça o prêmio Nobel da paz, mas que seja pelo menos suficiente para dar um pouco de paz, para pés cansados e desanimados de caminhar em vão. Uma delas chegou a falar de carma. Tentei acreditar, mas não consegui. Não porque não merecesse crédito o que ela diz, porque merece muito, mas me recuso a acreditar que não tenho alternativas. Também porque tenho, logo eu, que ter um carma tão triste, se meus vizinhos, amigos de escola e colegas das aulas de balé são tão felizes e o tempo todo? 

Se tudo é carma nessa vida, porque o destino escolheu logo a mim, para carregar um triste? Poderia tê-lo dado para a Albertina, por exemplo, que é má e pensa até hoje que as nuvens são de algodão mesmo. Já a vi várias vezes murmurando por causa do sol quente que faz nessa cidade, já às nove da manhã. Ela também tem vários pássaros presos em gaiolas, isso faz dela uma pessoa má e merecedora de um carma ruim não faz? 

Se não. Poderia sugerir então, o senhor Augusto. Que passa horas na janela da casa dele praguejando e xingando as crianças que batem bola na rua, só por causa do barulho que fazem quando estão felizes... Tá certo que a satisfação das crianças já lhe custaram uma ou duas vidraças novas, mas o que é um amontoado de vidro quebrado diante do medo e angústia que se pode causar em um desses pequenos? Bem... se isso não for motivo para que ele mereça dias pesados e sem sol, não sei qual seria. 

Pensando bem acho melhor nem tentar entender, mas posso só deixar uma observação querido destino, compositor de todos os carmas, de todas as pessoas que vivem nesse planeta? Não escolhi isso. Que fique bem claro que és o responsável por cada centímetro cúbico dessa dor. E esse buraco que restou, negro, irreparável e sem formato definido fica a seu cargo preencher.

Controvérsias





Até hoje não consegui descobrir se quem sofre de taquicardia tem o coração fraco ou forte, afinal, conviver com essa guerra dentro do peito não é para fracos, ou é? O coração é mesmo um órgão complicado de lidar, quando você precisa que ele se aquiete, ele se agita e quando precisamos que se acalente, nos olha com desdém.  

É comum citarmos o coração no sentido figurado, falando do lado emocional de cada pessoinha que somos quando na verdade essa nossa capacidade de chorar provêm do cérebro, distante daquela parte racional que utilizamos para ler as notícias de economia do dia. Aliás, li hoje uma manchete no jornal, tão criativa que me recordei do seu senso crítico apurado para as políticas e economias. Dizia assim: “Crise mundial: Economia Brasileira Embarca no Voo 447”. Foi inevitável, mas cai na risada... (você me condenaria por isso que eu sei).

Mas voltando ao nosso coração. Falo aqui é do coração mesmo, aquele de carne, que fica “do lado esquerdo do peito”. Porque ele é que menos manda quando o assunto é emoção, mais é o primeiro a desestabilizar qualquer santo que se aventure a consumir uma dose maior, da que já se acostumou, de adrenalina. É uma situação difícil, porque quando vem a taquicardia também falta ar e em segundos as mãos estão suando e, o pior: acontecem os tremores. Não sei porque que é assim. Deus quis que fosse assim. Mas tem horas que eu queria mesmo era ter outro cérebro no lugar do coração, pra conseguir pensar duas vezes mais racionalmente... Mas tudo bem

Falando em racional, essa semana mamãe contou que queria ter colocado meu nome de Elis Regina, mas achou o nome muito grande para um bebê tão pequeno. Gostaria que ela tivesse me dado esse nome. Eu ainda teria um coração bobo e mal treinado, mas duas vezes mais charmoso.